Vamos ao bar El Farol?

O movimento num bar chamado El Farol, em Santa Fé, Novo México, gerou uma interessante reflexão por parte de Brian Arthur (1984). O Bar era muito bom, mas desde que não estivesse lotado. No entanto, as pessoas que o adoravam percebiam que a situação dele se alternava entre vazio, boa ocupação e lotado. Como seria a racionalidade dos agentes que acabava gerando uma dinâmica que não tendia ao melhor resultado? Arthur percebeu que os agentes decidiam ir ou não ao Bar de acordo com suas experiências anteriores. Dessa forma, se tinham ido e o Bar estava vazio, continuavam a ir, mas exatamente essa decisão acabava por provocar lotação. Quando a experiência prévia era de lotação, as pessoas deixavam de ir ao Bar e ele se esvaziava. Esse movimento foi representado num Modelo de Simulação Baseado em Agentes (ABM Model). A nova ferramenta possibilitou mais insights e reforçou a ideia de que a Racionalidade Limitada e os agentes que decidem de maneira indutiva podem gerar resultados interessantes, diferentes de modelos com agentes maximizadores, e que são observados em diversas situações reais.

Você tem a oportunidade de realizar experimentos com o modelo El Farol, desenvolvido em NetLogo, clicando no link abaixo.
El Farol
Pressione “setup” e “go” e aproveite!

Um computador consegue passar num dos vestibulares mais concorridos?

Herbert Simon foi um pioneiro da inteligência artificial e um dos mais brilhantes estudiosos do processo de decisão humana e suas implicações para a Economia. Diante da vitória obtida pelo computador da IBM Deep Blue sobre o mestre enxadrista Kasparov, em 1997, fez importantes reflexões sobre as implicações dessa conquista.
Análises comparando a capacidade de computadores e do ser humano se multiplicaram desde então, ainda mais com os fabulosos desenvolvimentos das máquinas. Segue uma palestra que apresenta uma reflexão sobre o papel da educação ao procurar responder à pergunta acima.

A Flor do Maracujá

Encontrando-me com um sertanejo,
Perto de um pé de maracujá,
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo,
Porque razão nasce branca e roxa,
A flor do maracujá?
Ah, pois então eu lhi conto,
A estória que ouvi contá,
A razão pro que nasci branca i roxa,
A frô do maracujá.
Maracujá já foi branco,
Eu posso inté lhe ajurá,
Mais branco qui caridadi,
Mais brando do que o luá.
Quando a frô brotava nele,
Lá pros cunfim do sertão,
Maracujá parecia,
Um ninho de argodão.
Mais um dia, há muito tempo,
Num meis que inté num mi alembro,
Si foi maio, si foi junho,
Si foi janeiro ou dezembro.
Nosso sinhô Jesus Cristo,
Foi condenado a morrê,
Numa cruis crucificado,
Longe daqui como o quê,
Pregaro cristo a martelo,
E ao vê tamanha crueza,
A natureza inteirinha,
Pois-se a chorá di tristeza.
Chorava us campu,
As foia, as ribeira,
Sabiá tamém chorava,
Nos gaio a laranjera,
E havia junto da cruis,
Um pé de maracujá,
Carregadinho de frô,
Aos pé de nosso sinhô.
I o sangue de Jesus Cristo,
Sangui pisado de dô,
Nus pé du maracujá,
Tingia todas as frô,
Eis aqui seu moço,
A estória que eu vi contá,
A razão proque nasce branca i roxa,
A frô do maracujá
Catulo da Paixão Cearense